A imponderável sombra do anjo
“
Os deuses são tiranos. Roubam os sonhos que nos dão e expõem
nossas cicatrizes ao sol.” (Orismar Rodrigues)
O prazer: dentro da gente se faz e refaz. Na clara linguagem
do corpo inunda de silêncio o intervalo amoroso da espera. Já prisioneiro
do tempo, o homem pergunta sobre a lonjura da solidão, essa mão
ligeira que embriaga os espaços do coração. À flor
da alma, em cinza, renasce.
A promessa: dentro da gente vira e revira
os abraços. No transparente
suspiro do corpo sussurra palavras de submersos sabores. Já amarrotado
por ilusões, o homem indaga sobre o miolo da angústia,
essa prece gratuita que voa rente às ranhuras do abismo. À flora
da alma, borboleta cintila.
O desejo: dentro da gente, há sempre
um deus na forma disforme do amor. Na apressada voragem das paixões,
o corpo irradia desconcertos. Já orvalhado pela ternura, o
ser ajeita as questões do estradar,
essa longevidade que norteia as adjacências do querer. À luz
da alma, imensurável, soluça.
A paciência: dentro
da gente, há sempre uma morada de signos
na escancarada delícia do sonho. Já ensimesmado pela
crença,
o ser sobrevive aos despojos de outras línguas. O corpo desata
palavras, alarga fantasias, refunda manhãs, reconhece entardeceres,
navega noites. Ao som de salmos profanos, dança sem pudores.
Com
a vestimenta corrosiva do prazer, imerso na paciência legítima
do cântico, aninhado na promessa excitante do gozo e banhado
pela ardência
do desejo, Zeilton Alves Feitosa compôs uma obra transfundida
em beleza, onde a espontaneidade, a persistência e a perspicácia
do ofício
poético têm o lastro do real sentido do existir: o encontro
consigo mesmo. A poesia que emana de Borboleta em Cinza – Salmos
Profanos – é comoção
de vida, passaporte para bem-aventuranças, porta de entrada
para celebrar a totalidade do amor, este reino onde o desperdício
das horas é a
quintessência de todas as ocupações.
Com a perplexidade
profética da alma e o corpo impregnado de urgência,
o poeta não se esquiva à viagem vertical do destino.
Entoa seus cantos ao compasso da lucidez que a soletração
do delírio
permite. Cumpre a floração da graça madurando
as acontecências
do desespero. A morada do corpo é também a perdição
da alma. A véspera da alma, do mesmo modo, é o lampejo
salvador do corpo. Borboleta em Cinza – Salmos Profanos – pela
corola dos vôos, salienta o oceânico fascínio
da poesia que reinventa novas ambiências para o anjo.
O anjo é a
matéria inaugural de todos os salmos profanados
com lapidar acerto. Z.A. Feitosa, poeta de transcendente visão,
irradia um feito bastante singular: traduz as amabilidades humanas, à revelia,
das convenções. O requinte verbal dos salmos por cujas
engrenagens o anjo sangra, viabiliza a potência tentadora da
paixão, nem
mais nem menos. Sem surpresas e sobressaltos, o poeta ocupa os aposentos
da casa desentulhando-a das obviedades. Sem inibições
ou culpas, ele segue seu périplo, mirando unicamente o angélico
personagem ao longo de três estações e quarenta
e oito degraus da mais expressional poesia.
Em Borboleta em Cinza – Salmos
Profanos, Z.A. Feitosa instala, sem as peias do kitsch, o arroubo
iconoclástico das tentações.
Os quarenta e oito salmos entretecendo o lirismo dos amantes, na
medida em que o emissário nômade da poesia adere à forma
dramática
do cantar, desdobram a força evocativa do mítico com
um arrojo imagético suave e selvagem a um só tempo.
Sim, os cantares de Z.A. Feitosa estão povoados pela urdidura
do anjo. O mesmo prenúncio
que acompanhou Rainer Maria Rilke, quando, buscando entender a condição
humana, proferiu nas Elegias de Duíno que: “Todo Anjo é terrível.
No entanto, ai de mim, eu vos invoco,/pássaros quase mortais
da alma, sabendo quem sois”, incendeia vertiginosamente o eterno
vir-a-ser desta ceia profana e poética ofertada por Z.A. Feitosa.
O salmo 38 – Meditação
sobre a visita do anjo amado – é a reiteração
inteiriça do canto que confabula com o sublime. Nele, o poeta
nomeia o epicentro do júbilo erótico-amoroso quando
dispara: “Borboleta
em cinza fez-se a alma”, aqui, continente e conteúdo
regam, peremptoriamente, os pormenores cotidianos do poema-livro
transfigurado
e transfigurador de Z.A. Feitosa.
Longe dos olhos, a transitoriedade
do querer se espreguiça no limiar
levíssimo do leito. E o anjo se materializa. Hóspede
dos remansos, o Anjo uma vez terrível sempre terrível,
nem por isso menos desejado. Sabedor disso, o poeta sussurra: “Ó anjo
meu, quão
tristes são os olhos em/cujas sombras a noite tece a escuridão!”.
Z.A. Feitosa crava no peito do anjo a chama erótica do encanto.
Da admirável unidade de Borboleta em Cinza – Salmos
Profanos, com suas petições, aflições,
manifestações,
exaltações, louvações, súplicas,
orações
e seus louvores amalgamados à descoberta súbita do
outro, a poesia toma pela mão os contrastes que se localizam
na mística
do amor. Pagão e transcendental, o brado amoroso do anjo vai
além
de cada personagem.
O sentido da vida, em seus atônitos contrastes, assevera que bravuras
e covardias, grandeza e mesquinhez, esperanças e revoltas, amores
e ódios, conflitos e perplexidades regressam em forma de dramas e
hesitações, dúvidas e desesperos à cidadela do
poeta transfigurado em anjo – algoz e libertador – de devaneios,
quimeras, delírios, entressonhos e fantasias tão presentes
em Borboleta em Cinza – Salmos Profanos, este nascedouro das experiências-limite
que alforriam os amantes. Ainda mais, quando uma sombra flana no limite do
imponderável.
R. Leontino Filho - poeta e ensaísta
Os cânticos profanos de “Borboleta em Cinza”
A poética do amor que flagela e revigora, nos versos
com forte acento sensual de Z.A. Feitosa.
Ainda que pese a expressão usada pelo poeta para designar a poesia
de Borboleta em Cinza, pela preferência por assuntos ligados
ao amor erótico, os poemas do livro têm pouco em comum
com a lírica
ou a temática das composições poéticas
que relatam o diálogo do homem com um deus.
Sem pretender que
existam intenções que se ocultam, o autor
elegeu um ser espiritual como causa ativa desse amor que é gemido
ou, até mesmo, soluçado em versos de estranha poética,
cuja plasticidade das metáforas figura-se, às vezes,
desconcertante nas páginas de Borboleta em Cinza.
Há originalidade na forma como Z.A. Feitosa reinventou a beleza dos
cânticos, que prestam o culto a um deus, para narrar os sentimentos
nascidos da intimidade com um ser angélico, nutrindo-se, principalmente,
das características extravagantes e instintivas desses poemas místicos;
e concentrando-se, todavia, no lirismo amoroso para criar os poemas
que nomeou salmos profanos.
O amor na expressão do erotismo particular de Z.A.
Feitosa tem certa religiosidade, o que pode revelar uma estranha crença
no amor que flagela e revigora. A submissão do ser ao anjo, que impõe
sua vontade, transforma o amor, de que fala o poeta, numa experiência
mística. O autor de Borboleta em Cinza, que buscou nos salmos
inspiração
para sua poesia, parece ter mergulhado nas profundezas dos textos
canônicos à procura
do poder redentor do amor.
Z.A. Feitosa abusou, intencionalmente, da
presença de certas expressões
e do tom clamoroso dos salmos, assim como das formas poéticas
que lhes são comuns, usando com acerto o manar do pensamento
e das palavras de caráter canônico para construir poemas
intensos, através
dos quais o poeta relata as vivências de caráter erótico,
experienciadas por um ser humano na presença desse anjo, que é uma
espécie de fonte de prazer e dor.
O amor na poesia romântica
de Borboleta em Cinza, porém, não é tratado
como mera idealização, estando envolto numa densa aura
de natureza erótica, que dá a totalidade de sua obra.
Assume, portanto, um ar de consumação. É como
se o poeta transformasse em experimento poético as experiências
amorosas ou as próprias
obsessões românticas, que marcaram sua vida.
Ao tratar
como situações místicas o amor silencioso,
que os corações gestam no aconchego da solidão,
Z.A. Feitosa acabou por cunhar belos poemas. Não só pelo
adequado emprego de técnicas poéticas, mas por ter sido
capaz de plasmar, poeticamente, o sentimento de tristeza que veste
com seus entardeceres a
alma do ser humano que se descobre apaixonado por um anjo.
Assim, não é por
acaso que a poesia de Borboleta em Cinza ajuda a perceber porque o
amor, quando é tão diverso, como
esse amor de que fala o poeta, de modo geral, toca a incompreensão,
sobretudo, se atrevidamente deixa o escondedouro de um coração
e se converte em experiência na luz fria da manhã.
É
, no mínimo, destemido o uso que o autor faz de sua inspiração
e ninguém pode negar a força de sua imaginação,
convertida em criatividade, a qual sobressai em todos os poemas do
livro. Aliás, imaginação criadora é o
diferencial da obra de Z.A. Feitosa, um escritor dotado da rara capacidade
de criar textos,
agradáveis aos sentidos, mediante a combinação
de palavras comuns e idéias sabidas de todos.
Pode-se afirmar
que Z.A. Feitosa criou, em Borboleta em Cinza, uma poesia de raro
erotismo, que toca profundamente quem lê. E, embora alguns
poemas pareçam licenciosos, é indiscutível a
beleza que o leitor saboreia ao se apossar dos sentimentos que transbordam
em cada
um dos poemas.
É
o fato de Z.A. Feitosa celebrar sem vergonha o amor erótico,
assim como a linguagem e o vocabulário emprestados dos cânticos
místicos,
que torna deveras interessante a lírica embriagante dos salmos
profanos, que compõem seu novo livro, publicado com o apoio
cultural da Casa Pai Joaquim de Aruanda - CPJA.
Por fim, desejamos,
ao dar boas-vindas para os salmos profanos de
Borboleta em Cinza, que a leitura destes poemas motive as pessoas
a, dentro da
multiplicidade de experiências que o amor oferece ao ser humano,
expressarem seus afetos mais verdadeiros.
L.D.Freire e Z.A. Feitosa
PREFÁCIO DO LIVRO "O ÍNTIMO OFÍCIO"
Era um
menino com apenas sete anos de idade, quando Z.A. Feitosa lançou,
em 1984, um livro chamado "Algolagnia", obra de estilo vigoroso,
que, segundo contam, trouxe-lhe dissabores. O livro, que causou tal impacto
na época, é uma simples coletânea de contos inspirados
pela realidade, que foram publicados, originalmente, em revistas.
A realidade,
que serve de tema para o livro, entretanto, é apenas
o fundo que dá forma à escrita e verossimilhança
para os personagens. Mesmo sendo pura ficção, aquele livro,
como toda obra de Z.A. Feitosa, passa a impressão de que o autor
está a
contar histórias reais. Assim, não foi por acaso que alguns
leitores sentiram tanta identificação com os personagens.
“
Lemos um romance de Machado de Assis, sabendo que 'qualquer semelhança
com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência', mas
não
podemos deixar de nos reconhecer na miséria e na grandeza daqueles
personagens. É como se, por determinados instantes, Machado
de Assis, que sequer nos conheceu nem ao nosso século, nos conhecesse
melhor do que nós mesmos", como nos lembra Gustavo Bernardo.
Sabe-se que o autor, por conta dos constrangimentos sofridos
e ameaças
recebidas, de uma hora para outra, relegou os seus livros ao esquecimento.
Fechado em si mesmo, se tornou apenas mais uma presa do temor, à semelhança
daqueles que, na década de 70, foram silenciados pela repressão.
Nada
disso, contudo, desmerece a obra nem tampouco seu autor, apenas deixa
patente que as circunstâncias da vida, de forma misteriosa,
fazem vir à tona
a fragilidade dos fortes ou a fortaleza dos fracos. Passado o susto,
a ordem é seguir
adiante. Afinal, a arte de escrever, como o próprio existir
humano, nunca foi considerada uma experiência inocente ou desprovida
de riscos.
O verdadeiro desafio do escritor é criar uma nova
perspectiva para o que chamamos de realidade, assim como realimentar
sua escrita
com o que
deriva deste exercício artístico. Sei que Z.A. Feitosa é apenas
um ser humano, portanto, não espero gestos heróicos,
mas desejo que volte, pelo menos, a questionar a visão que
temos de nós
mesmos e das coisas e, se possível, ouse extrapolar os limites
impostos pela realidade.
Segundo o escritor português Álvaro
Cunhal, tão injuriado
em vida por um feixe de adversários ideológicos, "a
arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta
e é sonho. É criação e recriação
da beleza pelo ser humano. Constitui, portanto, um direito à liberdade
que um escritor escreva sobre tudo. Não se pode admitir intolerância
no campo da estética. Somente de posse da liberdade, a arte
reflete sua dívida para com os ideais da emancipação,
que dão
ao homem a sua condição de sujeito livre para designar
o seu próprio destino".
A publicação deste
livro, após 23 anos de silêncio,
pode significar que, mesmo aprisionado pelo medo, Z.A. Feitosa manteve
as plumas de vário matiz. "O Íntimo Ofício" faz-me
acreditar, parafraseando Paulo Sérgio Sarralheiro, que é mesmo
possível ao homem reinventar-se, recriando a lenda da fênix
de colorida plumagem a renascer do cinza.
Z.A. Feitosa, valendo-se de um saber quase universal, traz
a público
a comovente história de um rapazinho, que é, ao mesmo
tempo, personagem e narrador de passagens de sua vida, que se pretendem
memórias.
Esse homenzinho chamado Bita, que nasceu num povoado paraibano, como
os meninos do seu tempo, vivia atormentado pelo pecado na infância
e assediado pelos prazeres sensuais nos anos de adolescência.
Bita,
cujas evocações tocam, profundamente, o coração
do leitor, parece dotado de incomum autoconsciência, ao narrar,
com relativa crueza, os aspectos mais íntimos da sua vida,
enquanto menino, que precisou conhecer de perto a maldade do homem
para descobrir o significado
do amor, que transcende a questão de gênero. Alias,
este aspecto se cumpre na obra sem a presença de agressão
barata ou romantismo piegas.
Neste livro, como de costume, o erotismo está presente,
mas não
chega a ser a figura central da obra, apenas pontua alguns trechos
do livro. Aparece como uma espécie de ingrediente, que serve
tão somente
para realçar o sabor duma iguaria. O autor faz uso de um erotismo
descansado do desejo de ser vulgar, que empresta ao texto um sabor
exótico,
algo entre mucunzá com carne de sol e papa de xerém
com galinha de capoeira.
Ao expor, por meio de sua narrativa humana e sincera, a complexidade
da vida desse hominho, com tudo o que ela tem de mais estranho e
incompreensível,
Z.A. Feitosa transforma palavras em conforto para alma, ao tempo
em que denota respeito pela condição única de
todo indivíduo.
Por isso, atrevo-me a dizer que "O Íntimo Ofício" é uma
leitura indispensável para todas as pessoas e grupos, com
identidades diversas ou não.
Imbuído do ideal libertário de Álvaro
Cunhal, desejo que o escritor Z.A. Feitosa retome para sempre os ousados
caminhos
da literatura,
em que pese a realidade coercitiva que nos cerca. Por Zâmbi,
jamais perca, meu velho, a necessidade e o gosto de escrever.
Continue a ser o interprete fiel desses sentimentos e pensamentos
canhestros, que povoam a mente de todos nós. Viva para semear
perguntas sem respostas, seja na prosa ou nos versos, porque sua
obra tem muito a ensinar, sobretudo,
quando aborda de forma, que julgo exemplar, os temas mais inóspitos.
Tibério Feitosa
28 de junho de 2007
Sobre "O Íntimo Ofício"
Desde 1984, quando publiquei
um pequeno livro de contos, que me rendeu grandes dissabores, eu perdi
totalmente a vontade de escrever. Foram 20 anos sem
me animar a escrever ou publicar coisa alguma. Assim, essa incumbência
me preocupou enormemente por se tratar de uma tarefa para a qual não
me sentia preparado.
Um dia, numa sessão espírita na Casa
de Caridade Pai Joaquim de Aruanda, um orixá, naquele momento
transformado no preto velho Pai Antônio de Minas, disse que eu
deveria voltar a escrever e publicar um novo livro, sobre o qual apenas
me foi dito que eu seria intuído
pelas entidades do astral a respeito dos temas que deveria abordar.
A
partir daquela noite, muito preocupado, passei a remexer os guardados,
tentando encontrar entre meus rascunhos algum texto que pudesse ser publicado
ou servisse como ponto de partida, mas nenhum parecia bom o bastante
para ser editado. Nada do que li fez reacender a velha paixão
pelo ato de escrever. E pensar que eu sonhara um dia ser escritor, freqüentei
um curso de jornalismo e costumava escrever sobre as vulnerabilidades
que os homens carregam em silêncio, mas o temor parecia ter me
calado para sempre.
Depois de repetidas cobranças, feitas pelo
Pai Antônio de Minas,
dei-me conta de que voltara a ler, hábito que tinha abandonado
juntamente com o ofício de escrever. Passei a sonhar com situações
incomuns. Certa noite, sentado ao computador, veio-me duma fonte, que
desconheço,
um estímulo inspirador.
Chegara o momento de romper o silêncio
ao qual o medo me condenara, sem provas nem meios suficientes para
resistir à sua força.
Confiar na sabedoria da intuição mediúnica foi
a maneira pela qual pude resgatar a emoção de escrever
sobre o mundo dos homens e seus sentimentos. Foi dessa maneira que
voltei a pensar em partilhar
com outros seres humanos a história das paixões que dão
cor às nossas vidas.
Assim teve início o processo de liberação da vontade
que esteve por muito tempo a mercê de um receio paralisante. Entendi,
pois, que a proposta daquele amado Preto Velho, sábia partícula
do amor infinito, era mais, a bem dizer, uma proposta de cura, uma forma
de debelar aquela manifesta incapacidade que se apossara de mim.
Ao dar por cumprida a primeira etapa dessa tarefa, quero expressar
minha gratidão aos irmãos, em Zâmbi, daquela casa de umbanda,
que comigo comungaram, sob a orientação espiritual do Senhor
Coriolano, os ensinamentos do povo de Aruanda, Foi por demais inspiradora
a convivência com Laura, Silvana, João, Leandro, Milton, Maicon,
Sidiney, Jânio, Mitsuko, Ewerton, Devanir, Patrícia, José Carlos,
Zeilton, Antônio, Vanderleia, Ricardo, Zenon, Carlos, Francisco,
Darlan, Rossana, Geraldo, Edielson, Luiz e Mario.
Quero aproveitar para expressar minha grande gratidão pelos estímulos
recebidos dos orixás da umbanda, que me acudiram quando tudo parecia
perdido, sejam em essência como também são cultuados
naquele templo (Exu, Iansã, Iemanjá, Nana, Obaluaê, Ogum,
Ossaim, Oxalá, Oxossi, Oxum, Oxumaré e Xangô), ou transformados
na energia de preto velho (Pai Joaquim de Aruanda, Pai Antônio de Minas
e Vovô Juvenal), de criança (Terezinha de Jesus), de boiadeiro
(Juventino de Deus da Silva e Padre Dagmar), de caboclo (Caboclo Cobra Coral),
de cigana (Balaine de Além Mar), de exu (Tranca Rua das Almas) e de
pombajira (Das Dores de Pombal). Sem a proteção e contínua
ajuda de todos esse trabalho não seria possível e estas memórias
estariam condenadas ao esquecimento.
Preciso, ainda, reconhecer a importância da psicóloga clínica
Dora Lorch e do médico e psicanalista Arnaldo Marques Filho, que me
ajudaram a entender a natureza dos meus medos e buscar a sua cura, assim
como do quiropraxista Cleber Sampaio, que me ajudou na remissão de
uma isquialgia, de natureza psicossomática, que me atormentou
por anos seguidos.
Não posso deixar de reconhecer o apoio do publicitário Fernando
de Oliveira, que desenvolveu um pré-projeto e pacientemente leu os
manuscritos, assim como a generosidade do poeta maior R. Leontino Filho,
pelo empréstimo do texto que transcrevi à guisa de prefácio.
Ademais, quero agradecer a Ewerton Matos, dirigente espiritual
da Casa de Caridade Pai Joaquim de Aruanda, pela orientação
e, por suposto, a Hiroaki Feitosa pela ajuda na idealização
e elaboração
do portal e a irmã de fé Mitsuko Oshiro, pelo companheirismo
de tantos anos.
Antes de finalizar, quero estender meu agradecimento
a todos aqueles que, por acaso ou descaso, determinaram, de certo
modo, o curso de
minha vida.
Obrigado muito.
Z.A. Feitosa
Outubro de 2007
CUENTOS DE AMOR PROHIIDO, PROHIBIDÍSSIMO (
Algolagnia - prefacio )
La introducción de Edilberto Coutinho en Erotismo
en el Romance Brasileño sirve, de todo modo, para presentar el trabajo de Z.A. Feitosa aquí colocado.
"La influencia freudiana es casi siempre evidente y una de sus principales
características está en la narrativa autobiográfica
o semi biográfica." Se supone que el autor relate, "en medio
a la trama ficcional, experiencias personales o acontecidas a sus amigos
o conocidos." Técnicamente, procura hacer con que la ficción
parezca verdad o al contrario, en algunos trechos, presenta la verdad como
si fuese ficción. "Es una narrativa casi siempre intimista. Se
empeña el autor en un trabajo de prospección sicológica
y en una exploración profunda del yo, tan temido por los ficcionistas
del pasado."
Los textos escogidos para esta colección, "con
su toque de amor o su no sé que de sexo, con su poco amor prohibido, prohibidísimo," como
señaló Gilberto Freyre, fueron, originalmente, escritos para
revistas masculinas, a notar por lo que Z.A. Feitosa cuenta en dieciocho
historias sobre aquello que se escribe muy poco en libros.
"Su realismo puede acaso desagradar a algunas personas que no aman
la verdad sino colorida y adornada con eufemismos convencionales. Es la vida,
tal como ella es; por eso mismo llama la atención y la curiosidad
del lector", como bien observó João Ribeiro.
Seducción, golpes, asesinatos, triángulo amoroso, estupro,
prostitución, homosexualismo, amor pecaminoso entre hermanos... La
voluptuosidad del dolor y de la pasión, como sigiere la designación
propuesta por Z.A. Feitosa para esta colección de circunstancias
de la vida humana en que vibra la fuerza de Eros.
E.C. Brasiliense
Janeiro de 1984
PREFACIO (MUJER-MACHO: si, senhor!)
En ciertos casos lo mejor es ser huérfano, dice Z.A.
Feitosa, viniendo de Paraíba, donde el sol del Noreste arde como
fuego y se extiende por las manos rudas de los que intentan vivir.
Un hijo
no se doma como se fuese animal de estimación. Un hijo se
educa y la educación no se hace con golpes.No deben sentirse dueños
de los hijos. Ellos no son propiedades de los padres, como un caballo del
que se puede diponer de la forma que se desee.
Feitosa se dejó hablar
como personaje de su propio libro o habló como
autor situando sus recuerdos ahora, cuando el tiempo está lejos y
el Noreste tal vez sea apenas un punto de referencia, donde él va
en busca de su origen?
No importa.
La palabra probablemente más adecuada para
explicar este libro de Z.A. Feitosa: fragmentos. Él juntó todas
las cosas distribuídas
en un cuarto desarreglado e hizo un acuerdo consigo mismo: ordenar de la
manera más correcta posible. Nada como, de repente, juntar el tiempo
para explicar circunstancias yu situaciones dolorosas, que dejaron marcas
en la carne y en el espíritu.
Mujer Macho, Sí, Señor! puede
ser considerado un libro autobiográfico?
Puede. No obstante, Feitosa no esté preocupado con eso. Él
no está ni preocupado en hacer literatura y mucho menos autobiografía.
Tomó apenas las reminiscencias para revelar la vida de un tiempo
difícil,
vivida lejos del Sur, donde todo es más fácil, donde están
todas las esperanzas, donde la vida finalmente puede acontecer. Mas no
es así, Feitosa sabe.
El libro es un relato brasileño nada
preocupado con las cosas literarias.
Feitosa da su información sobre
las cosas de su tierra donde, al final, la vida existe en una lucha desigual.
Las situaciones se suceden marcadas,
todas ellas, de profunda amargura, esa cosa que queda por dentro y que el
tiempo no apaga. Pero, amargura por qué? La respuesta está en
el libro, subentendida, escondida, silenciosa como el deseo de ser ángel,
de coronar Nuestra Señora de la Concepción, participar de la
procesión de los conductores que salen del poblado vecino, el pueblo
cantando el himno de San Cristóbal...Como el dolor del niño
que pierde su animal de estimación.
Son esos fragmentos que hacen el
libro de Z.A. Feitosa. Los recuerdos no muy antigüos. Hoy él
está en São Paulo, mezclado
en una multitud sin nombre, sin rostro, sin cuerpo. Tal vez ya haga parte
de este nuevo paisaje como hizo parte de un paisaje que dejó atrás,
dentro del tiempo amargo. Pero trae aún la palabra del Noreste,
de los poblados, de los hombres rudos sin alternativa, un cierto olor de
muerte que rodea todas las cosas. Se posgraduó en el área
de Comunicaciones, curso pasado sentado a mi lado. Nunca fue posible tomar
de él muchas informaciones. Ahora él me da este libro. Y
dejó correr la palabra. Dejó correr centenas de palabras.
Exactamente él que nunca habló.
Álvaro Alves de Faria
Septiembre de 1980
ALGUNAS CONSIDERACIONES(MUJER-MACHO: si, senhor!)
El libro, narrado en primera persona, y talvez por eso mismo, tiene una
fuerte connotación de memorial. Es como se el personaje central, por
un flujo de conciencia, trajese para el presente un pasado distante, pero
enraizado, que le hubiese marcado profundamente la vida.
Devido a la grande
preocupación de los detalles, de la necesidad
imperiosa de comprensión del mundo vivido con riquezas de minucias,
debido a la preocupación de la primera persona de transmitit su impresión
más precisa de la personalidad de los personajes y de su conexto social,
el libro se aproxima de la escuela realista literaria. Su lenguaje seco, árido,
escaso de adjetivación, apunta en ese sentido.
Es curioso ver, en
algunos trechos, el predominio de las palabras "no
literarias". Son palabras que se encajarían perfectamente en
una reflexión ensayística, pero que causan un tono inesperado
en la forma de empleo que reciben. Trechos como estos: "sumamente tensas"; "literalmente
separados"; "ultraje biológico"; recuerdan, asimismo,
el tono de descripción, creando un espacio que no se sitúa
perfectamente ni en el reportaje ni en la narrativa ni, tampoco, en la crónica.
Las
frases, ora largas, ora cortas - dentro del mismo parágrafo -
no demuestran la preocupación de un trabajo intenso en la elaboración
del original primero. Se tiene la impresión de un inmediatismo en
la composición. Pero, a pesar de eso, por otroa ángulo, podemos
observar la feliz fusión conseguida por la unión del lenguaje
infantil (del personaje central en su infancia) con el lenguaje maduro de
los recuerdos del mismo personaje, ahora narrador de su vida. La mezcla conseguida,
que pasa por el prisma de uno y otro tono, da una cierta vivacidad al texto
que no permite que él se vuelva lineal y cansativo. En ese sentido,
el descuido en la composición de las frases va a contrastarse frontalmente
con el cierto ritmo de la narrativa, que presenta felices esbozos de un
estilo a delinearse.
Carlos Eduardo Scaranci
São Paulo, 01 de septiembre de 1980
POESÍA MELINDROSA Y LLORONA
Antonio Callado, en un pequeño ensayo a respecto del hombre brasileño,
recurre a un paisaje de Don Casmurro para cuestionar una eventual incapacidad
nacional para demostraciones trágicas. Pero la descripción
de Machado de Assis - "Las lágrimas, si las tiene, son enjugadas
atrás de la puerta, para que las caras aparezcan limpias y serenas;
los discursos son antes de alegría que de melancolía, y todo
se pasa como si Aquiles no matase a Hector" - es luego deshecha, a nivel
real, por el propio Callado, que invoca sus experiencias de antigüo
reportero para afirmar que, de hecho, el país "está lleno
de gente que no llora atrás de ninguna puerta, pero a la luz del sol";
pare él, la visión del autor de El Alienista alcanza apenas
un pequeño número de brasileños, una élite.
De
algun modo, el llanto - fácil, raras veces trágico - es
una manifestación de sentimiento común al brasileño.
Las lágrimas deslizaban en centenas de rostros por una conquista en
el futbol o un ídolo de esos concebidos en departamentos de marketing
de emisoras de televisión. Por el sol, que trae la sequía;
por el frío que devasta con las heladas. Por Dios y por el Diablo.
Se llora, por todo, en un amplio sentido. Hasta mismo por ocurrencias distantes
como la escena del Papa Juan Pablo Segundo bañado en sangre, después
de los disparos de la Plaza de San Pedro. Las lágrimas nacionales
ignoran geografía: la caída de un avión, el incendio
de un gran edificio, una dolencia que diezma adultos y niños - ni
que todo acontezca más allá de Paquistán. Es así,
regla general; y en particular, no es diferente. En la poesía brasileña,
por ejemplo, se instaló un movimiento en la primera mitad del siglo
pasado con evidentes señales - digamos -lagrimales. El romanticismo,
sin duda, fue marcado por el rompimiento con la escuela inmediatamente anterior
- el clasicismo -, utilizando recursos de lenguaje menos rebuscados y más
populares. La creación de un mundo irreal, a partir del individualismo
y del subjetivismo de los poetas románticos, indicó, al mismo
tiempo, una profunda insatisfacción - de resto, expresada bajo varios ángulos
y temáticas. Mismo las características del romanticismo portugués,
surgido poco antes, no son totalmente idénticas las del romanticismo
brasileño. En fin, lo que interesa, sobretodo, es la postura de nuestros
poetas románticos, notadamente aquellos de la llamada segunda generación,
delante del amor. Manuel Bandeira observa una "cierta dulzura melindrosa
y llorona, bien brasileña mejor dicho, y tan indiscretamente sensible
en el lirismo amoroso de los románticos", en su obra Presentación
de la Poesía Brasileña. En este caso, el amor es exhaltado
y sobrepuesto a los demás sentimientos, en base de una idealización
y un énfasis lírico atados a aspectos personales. De ahí,
la excesiva preocupación con el "Yo", en una sucesión
de los posesivos de primera persona. La mujer romántica, pura e inalcanzable,
ni siquiera es encontrada en los brazos de nuestros poetas románticos,
excepto Castro Alves. No hay, como notó Bandeira, un concepción
realista de la relación entre los sexos. Alvares de Azevedo, el formidable
autor de Lira de los Veinte Años, prefirió, entre otros escapismos,
mirar a su amada durante el sueño, como en este trecho:
No te levantes
tan temprano! en cuanto duermes
Yo puedo darte besos en secreto...
Pero cuando en tus ojos raya la vida,
no oso mirarte...yo tengo miedo!
El miedo, mejor dicho, fue común. Miedo, en la dimensión dada
por Mario de Andrade, esto es - como realización sexual. En verdad
sólamente Castro Alves, entre los románticos, traspasó la
experiencia erótica imaginaria y alcanzó la plenitud sentimental
y carnal. La mujer romántica en Castro Alves pierde, definitivamente
su aurea inmaculada. Como en estos bellos versos:
Ah! fuera bello unidos en segredos,
Juntos, bien juntos...temblando de miedo,
De quien entra en el cielo,
Deshacer tus cabellos delirante,
Besar tu regazo!...Oh! vamos, mi amante,
Á breme el seno tuyo.
Yo
quiero tu mirada de aureos fulgores,
Ver desmayar en la fiebre de los amores,
Clavados...clavados en mí.
Yo quiero ver tu pecho entumecido
al soplo de la voluptuosidad jadear seguido...
...Ven! Seré tu poeta,
tu amante...
Vamos a soñar en el lecho delirante
En el templo de la pasión.
Ese cuadro sirve, de todo modo, para facilitar algunas hipótesis
a ser levantadas a propósito de este libro de poesías de Z.
A. Feitosa, que representa su estreno en el género. Impresionan, sobre
todo, las innumerables connotaciones de la obra con la poesóa producida
a lo largo del periodo romántico brasileño, principalmente
la llamada segunda generación.
Z.A. Feitosa, como ejemplo de los románticos, elige una musa intocable,
angelical, que él llama de "mi ángel". Su
mujer romántica posee "cuerpo adolescente y aire infantil", a punto de, en los
devaneos lírios, ser imaginada flutuando en sus "guantes de luna".
Es la amada distante, en lugar incierto tanto cuanto los reales sentimientos
de ella con relación a él. Entre lamentos y alabanzas, el poeta
construye un pedestal en que eleva a su musa, asumiendo, ahí, una
postura igual a la de los trovadores mendievales en sus cantigas de amor.
Eso, no entanto, está apenas implícito en la obra - por lo,
inalcanzable, al contrario, por ejemplo, del poeta portugués de la
tercera generación romántica, Juan de Dios, para quien la mujer
amada era una "reina". Como en el poema "Encanto":
Pasabas como reina
Y yo, andaba como muerto,
Parece que me sostenía
En el aire en éxtasis, absorto
Es ella, decía yo,
Mi estrella del cielo!
La actitud de sujeción a los pies (dígase, distantes) de la
amada, es otro trazo común y marcante en la poesía de Z. A.
Feitosa. Juan de Dios "andaba como muerto", en cuanto el poeta
de "Tango Del Escapulario" vive un "extraño amor que
se hace de desencuentros "y proclama inapetencia para proseguir solito" - "yo
no me quedo dentro de mí", él dice. Y revela: "Yo
no me amo más".
En el libro, dividido en siete partea tituladas
sugestivamente - Ouverture, Marcha en reversa, Danza por Profesión,
Tango Del Escapulario, Vals Sensual, Nocturne y Finale, Z.A. Feitosa
derrocha otro recurso de los románticos,
o sea, la apropiación de la "naturaleza muerta" como fuente
de la imaginación. De esa forma, la nuna, la estrella, el cielo,
el azul son repeticiones frecuentes. Un recurso, sin duda, qu proporciona,
otra
vez, lo inalcanzable - imágenes, fijas a lo lejos o en el infinito.
Como en "Ouverture":
Hay una estrella
perdida en un cielo de invierno;
yo estoy solito.
Así, también, aparecen los fenómenos naturales en movimiento,
como el viento, el relámpago, las nubes y la tempestad - casi siempre
en los breves momentos de éxtasis imaginario. Y sim embargo confiese,
a cierta altura, un "amor prohibido y profano", Z. A. Feitosa hace
emerger de su poesía más una característica romántica
fundamental, la religiosidad o una actitud sentimental mística. En
variso instantes, ese aspecto está nítido. En "Marcha
en reversa" hay un ejemplo, con tonalidades eróticas:
Nuestros cuerpos entrelazados
Danzan un minueto sagrado, la sagrada danza
del coito.
El poeta aún desnuda un profundo sentimiento de dominio, obsesivo
y carnal, algunas veces. Habla en "amor vivo y violante" y deja
saber de su satisfacción si pudiese "sentir tu cuerpo contorcionándose
debajo del mío". Y revela que, sin esa sensación de posesión,
que insinúa el dominio total de la compañera en el acto sexual,
por eso claramente machista - queda más difícil gustar de ella.
Intentaré gustarte
Siempre de esta manera,
con la certeza de que no tengo posesión...
Con respecto del sexo, como realización carnal, vale
señalar
aún que raras veces, en todo el libro, él aparece como hecho
consumado. Apesar del inconformismo, que rasga del primero al último
verso de Z.A. Feitosa, la contemplación platónica es inapartable. Él
imagina, ve y quiere, pero acaba siempre perdido dentro de su propio contorcionismo
- admisible mismo como una forma de búsqueda -, asistiendo la amada "aprofundando
por el elevador cansado". El erotismo contenido de Z. A. Feitosa, de
cualquier forma, alza vuelos considerables, como en "Vals Sensual":
...arqueas lascivamente y gimes
al peso de mi cuerpo ansioso
que se extiende sobre el tuyo,
que se entraña en este tu ser en cuerpo...
El estilo de Z. A. Feitosa, por su vez, apela para la redundancia, lo que,
en verdad, muchas veces no se constituye en un abuso de lo superfluo, mas
en una necesidad del poeta em reforzar una expresión, ser convincente,
como ya indicó Péricles Eugênio da Silva Ramos en estudio
para los "Poemas de Claudio Manuel da Costa". El poeta de "Danza
por Profesión" utiliza, y bien, las aliteraciones - "...ritual
pagãomente paulatino". Hay, también, la fluencia, pero
ni siempre, de cierta musicalidad y la repetición insistente de algunas
palabras, como mano, que impone, a nivel temático, otras consideraciones.
En "Tango Del Escapulario", poema en que él amenaza un rondó,
está presente una solitaria actitud de osadía, cuando Z. A.
Feitosa crea onomatopeyas:
Uñungue...trungue!
El engranaje traga la ceñida pieza
adecuado artefacto que pone a respirar
ruidosamente el quemane instrumento...
En uno de los trechos de "Marcha en reversa", el poeta demuestra
que, en el fondo no se considera un romántico autenticamente:
Quiero hasta enternecerme,
parecer romántico
escribirte un poema de amor.
Entre tanto, al contrario de lo que él supone, y por lo que comprueban
los 49 poemas de este libro, escencialmente del amor perdido, Z. A. Feitosa
es un poeta romántico. Evidentemente, a los 100 años del fin
de esa corriente literaria en Brasil como manifestación avanzada y
moderna, mas, por eso mismo, sin demérito por causa de un dato únicamente
cronológico. La cualidad de su obra literaria, o de arte, no depende
de tiempo y escuelas. Vale por ella. Sería estimulante saber que Z.
A. Feitosa proseguiría en esa línea, perfeccionando su trabajo,
deshilando y por qué no?, hasta mismo desafinando su lira por una
musa "de cuerpo tierno, con aroma de incienso y aliento de menta".
Como, por último, ya hacían los trovadores medievales.
Marcos Barrero
Assis, agosto de 1981
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